Na valsa antiga com cores amareladas, valsava ao som de canções entoando o cair de pétalas. Mas o que me encantou na imagem, foi seu amarelidão, seu desgaste com o tempo. Seus pés bailam com nervosismo por cima das pétalas no chão, um rosto sem sal, meio branco, deslizava no imenso campo aberto contido no seu interior. Bailarina de caixinha dança ao som de cordas, dançava ela ao som de ventos conduzindo-a aos seus lugares incertos - e se os ventos voam pra qualquer rumo, onde estaria a saudade da bailarina agora?
Saudade é baile sem luar, regido nas lembranças ao som de notas passadas. Pode ser valsa triste ou valsa de amanhecer ao teu lado. Mas os ventos misturam notas ao longo do tempo, tornando possível um canto singelo da bailarina, fugindo da saudade acorrentada nas lembranças boas.
---
-Olá Senhor dos Tempos, por que trouxe-me até aqui?
-Não é até aqui, é pra qualquer lugar, não tem um termo propriamente dito.
-Trouxe-lhe ao destino incerto por aí... - não se prenda aos carinhos
-Mas então me diga como nos tornamos capazes de criarmos sentimentos, compreendê-los e torná-los verdadeiros?
-Qual o motivo da ironia onde não se pode acreditar nem no que se cria?
...
-Perdoe-me minha jovem bailarina, você que está em mim e eu em você, nos tornamos fruto de uma vida. Somos tempo e vida juntos. Passado, presente e futuro. Queira me entender, sou pesado, antigo, viajo lento, devagar. Mas teimo em rodopiar entre sua dança, me permito carregar-lhe ao som de meu piano acendendo vida dentro do seu coração.
-Se pensar demais em mim, pode se sentir inútil ou talvez insignificante. Mas se deixar te levo daqui, pra qualquer lugar, ou lugar nenhum. Já estamos juntos, somos o tempo e a bailarina. Venha caminhar comigo até onde eu lhe permitir, e eu te mostro a vida.
Bailarina foge e corre, o medo do tempo amarrota a vida.
Bailarina vem de cá, de lá... bailarina foi pra lá...
Fajuto Jeito de Viver
Porém o mais importante de tudo é como me vejo. Eu me vejo de várias formas, entre tantas, as que mais me fascinam é me ver como campo aberto, como penhasco ao pôr-do-sol, um vento correndo sobre meu campo, desvendando meu vasto interior. Rangel Cabral
terça-feira, 20 de março de 2012
segunda-feira, 19 de março de 2012
Pensamentos soltos
''...a tragada no cigarro foi procedida de um olhar penetrante ao papel em branco. Olhava, observava o papel. Pensou no que escrever, não havia nada a pensar. No quarto haviam coisas jogadas, roubas sujas misturadas com limpas, papel no chão, um filete de poeira em cima dos móveis. Na cama, estava lá sentado acompanhado de um cinzeiro.
O papel continuava em branco, mas o pensamento fluía numa correnteza afiada. Os dedos começaram a digitar.
-Boa noite
-Noite...
-O que faz por aqui?
Olhando sem graça, respondeu:
-Pensando na vida... nesse mar.
-E o que pensa sobre a vida?
Mais uma vez, a timidez umedeceu o ar do espaço, e uma resposta seca raspou as linhas do ar:
-Eu tento não pensar muito sobre a vida, mas algumas vezes reflito. Vejo a vida de diversas formas e não entendo. As vezes ela me põem distante, outras vezes por perto. Certos momentos ela me busca, me leva, em alguns eu perco a carona, e me perco também.
Mas e você, o que pensa da vida?
Acertando as sobrancelhas, a resposta dita quase em silêncio:
-A vida me ofende, me ignora, me faz amar e me ama. Ela me contorna, me coloca e recoloca. Me constrói e me desfaz. O que pensar da vida se não um caminhar de aprendiz, de respeitar? Mas a vida me ignora sim, me descolore, finge não me ouvir...
---
Os dedos não dançam no ritmo de pensamentos. O caminhar tranquilo da vida.
O papel continuava em branco, mas o pensamento fluía numa correnteza afiada. Os dedos começaram a digitar.
-Boa noite
-Noite...
-O que faz por aqui?
Olhando sem graça, respondeu:
-Pensando na vida... nesse mar.
-E o que pensa sobre a vida?
Mais uma vez, a timidez umedeceu o ar do espaço, e uma resposta seca raspou as linhas do ar:
-Eu tento não pensar muito sobre a vida, mas algumas vezes reflito. Vejo a vida de diversas formas e não entendo. As vezes ela me põem distante, outras vezes por perto. Certos momentos ela me busca, me leva, em alguns eu perco a carona, e me perco também.
Mas e você, o que pensa da vida?
Acertando as sobrancelhas, a resposta dita quase em silêncio:
-A vida me ofende, me ignora, me faz amar e me ama. Ela me contorna, me coloca e recoloca. Me constrói e me desfaz. O que pensar da vida se não um caminhar de aprendiz, de respeitar? Mas a vida me ignora sim, me descolore, finge não me ouvir...
---
Os dedos não dançam no ritmo de pensamentos. O caminhar tranquilo da vida.
Um rebelde ao som de um piano.
Vem assim como vai e vem, dedilhando freneticamente e conduzindo a música, vai e vem, vem e vai. A cada dedo um vibrar diferente, uma dança, uma gente. O mundo vem e gira, roda nos dedos do tempo, e a cada passada uma nota me torna refém da música, do rebelde solitário desenhando sua vida ao som de um piano.
E vejam meus dedos dedilhando, buscando um saber de notas. No recreio era bom esconder atrás da árvore, e eu sempre era marcado pelos pássaros, dai em diante nunca mais parei de voar. Me permito dançar em redemoinhos, e se der alguma brecha eu corro logo pra existência tentando se tornar realidade na trajetória musical do tempo.
E como é bom esperar, pensar nas ilusões infiéis que me carregam de ilusão para ilusão, ou talvez seja tudo a verdadeira face do mundo. Eu não procuro dançar só, eu não me percebo só. Se acontece ai desanda, a dança manobra pra outro rumo, e a sola descalça batendo, vai e vem, vem e vai... e vamos todos pra lá, as correntes pra cá, de vez em quando se baila com um sentimento rabiscado, outrora suspeitamos de um grande momento para bailarmos juntos...
Quando é valsa triste, é dança de tambor chorar, meus dedos bailam devagar, de vez em vez corre e foge, se esconde, mas não para de cantar. Meus pés giram e batem, um de cada vez como se fossem sozinhos, e sem ajuda precisam aprender a bailar. E se machucar eu enxáguo a sujeira com gotas salgadas do meu girar de encantos mal interpretados.
Mas valsa triste também se desintegra,se desfaz em lágrimas, em chuva de manhã sem ter sol pra secar. Vai embora no rio, com os pés sempre sambando a boa noite de sono, agradecendo por ainda poder bailar. Vira sorriso amarelo esperando o brilho do sol chegar, dançando em conjunto evitando o desgaste de ter que entrar no ritmo sozinho.
Sábio tempo, vem me girar nas suas notas, me tocar no seu piano, me usar como abusa do vento pra propagar seus sons, suas vindas, idas, saudades, lembranças e amores. Vamos logo aprender a rodar com a ponta do pé na sua linha extensa, recheada de notas soando bem, outras chorando, algumas bailando, talvez uma porção esteja buscando dentro de si o melhor vibrar, mas existem as que vibram em sete sons diferentes, não cansam de se propagar, cantam, choram e brincam de dançar nas teclas do piano.
Eu apenas bailo, danço pra lá e pra cá, num vai e vem num vem e vai, no rimo incansável do bater de teclas do tempo, na valsa, na vida. Eu venho e vou, outros vem e vão. Entoados pelo meu musical, uns se aconchegam outros se distraem.
Num rumo sem sentido, a direção é posta pelo ritmo dos ventos, de um contra-tempo cruel, ou de chuvas avassaladoras que enfeitam meus pés, para que assim possam bailar belos apesar dos calos, apesar das lágrimas. Pés descalços, que nunca se cansam de rodopiar, sempre querem a valsa, o som, dedilhar pra cima e pra baixo, deixando rastros na música de um rebelde desenhando a vida ao som de um piano.
E vejam meus dedos dedilhando, buscando um saber de notas. No recreio era bom esconder atrás da árvore, e eu sempre era marcado pelos pássaros, dai em diante nunca mais parei de voar. Me permito dançar em redemoinhos, e se der alguma brecha eu corro logo pra existência tentando se tornar realidade na trajetória musical do tempo.
E como é bom esperar, pensar nas ilusões infiéis que me carregam de ilusão para ilusão, ou talvez seja tudo a verdadeira face do mundo. Eu não procuro dançar só, eu não me percebo só. Se acontece ai desanda, a dança manobra pra outro rumo, e a sola descalça batendo, vai e vem, vem e vai... e vamos todos pra lá, as correntes pra cá, de vez em quando se baila com um sentimento rabiscado, outrora suspeitamos de um grande momento para bailarmos juntos...
Quando é valsa triste, é dança de tambor chorar, meus dedos bailam devagar, de vez em vez corre e foge, se esconde, mas não para de cantar. Meus pés giram e batem, um de cada vez como se fossem sozinhos, e sem ajuda precisam aprender a bailar. E se machucar eu enxáguo a sujeira com gotas salgadas do meu girar de encantos mal interpretados.
Mas valsa triste também se desintegra,se desfaz em lágrimas, em chuva de manhã sem ter sol pra secar. Vai embora no rio, com os pés sempre sambando a boa noite de sono, agradecendo por ainda poder bailar. Vira sorriso amarelo esperando o brilho do sol chegar, dançando em conjunto evitando o desgaste de ter que entrar no ritmo sozinho.
Sábio tempo, vem me girar nas suas notas, me tocar no seu piano, me usar como abusa do vento pra propagar seus sons, suas vindas, idas, saudades, lembranças e amores. Vamos logo aprender a rodar com a ponta do pé na sua linha extensa, recheada de notas soando bem, outras chorando, algumas bailando, talvez uma porção esteja buscando dentro de si o melhor vibrar, mas existem as que vibram em sete sons diferentes, não cansam de se propagar, cantam, choram e brincam de dançar nas teclas do piano.
Eu apenas bailo, danço pra lá e pra cá, num vai e vem num vem e vai, no rimo incansável do bater de teclas do tempo, na valsa, na vida. Eu venho e vou, outros vem e vão. Entoados pelo meu musical, uns se aconchegam outros se distraem.
Num rumo sem sentido, a direção é posta pelo ritmo dos ventos, de um contra-tempo cruel, ou de chuvas avassaladoras que enfeitam meus pés, para que assim possam bailar belos apesar dos calos, apesar das lágrimas. Pés descalços, que nunca se cansam de rodopiar, sempre querem a valsa, o som, dedilhar pra cima e pra baixo, deixando rastros na música de um rebelde desenhando a vida ao som de um piano.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Passarinho do tempo
Noite passada um passarinho veio me visitar, e resolveu abrir seu coração.
Noite passa houve um tumulto na sala, no estar. O passarinho pousou, mas ainda era noite escura. Uma escuridão ao entardecer da lágrima escorrendo entre os dedos do coração, como se fosse possível contar as madrugadas sem um outro canto.
Mas noite passada meu destino resolveu me mostrar o abstrato que é seu poder de realizar encontros. O destino é maravilhoso, ele cruza corações. Misturas todas misturadas misturam-se tornando tudo colorido, um pedacinho de mim, um pedacinho dele, um pedaço do nosso e do outro, se desfazendo e refazendo.
Bom, e o passarinho? Pousou.
Ah, o passarinho! Me mostrou seu coração tão singelamente, me regou com palavras molhadas de carinho.
Sabe senhor voador, teu olhar me abandona em rios
teu sorriso é encantador e me dá frio
Frio de te olhar distante, aquecido com um giro
Giro do tempo, de um exemplo nosso
de que um olhar é certo,
quando te mostro
quando me move daqui e me acorrenta em mar,
de seus carinhos a primeira vista virei refém
de um coração carente, me responsabilizei.
Ah destino incerto! Eu nada posso fazer
se você entrega em minhas mãos
um coração tão transparente.
E por que, tempo, você nos deixa a mercê
da dúvida cruel de sentimentos instantâneos
que meu próprio coração desconhece?
Ao instantâneo tempo que me conduz na rota dos pássaros,
ao passarinho que cantou na minha janela...
Noite passa houve um tumulto na sala, no estar. O passarinho pousou, mas ainda era noite escura. Uma escuridão ao entardecer da lágrima escorrendo entre os dedos do coração, como se fosse possível contar as madrugadas sem um outro canto.
Mas noite passada meu destino resolveu me mostrar o abstrato que é seu poder de realizar encontros. O destino é maravilhoso, ele cruza corações. Misturas todas misturadas misturam-se tornando tudo colorido, um pedacinho de mim, um pedacinho dele, um pedaço do nosso e do outro, se desfazendo e refazendo.
Bom, e o passarinho? Pousou.
Ah, o passarinho! Me mostrou seu coração tão singelamente, me regou com palavras molhadas de carinho.
Sabe senhor voador, teu olhar me abandona em rios
teu sorriso é encantador e me dá frio
Frio de te olhar distante, aquecido com um giro
Giro do tempo, de um exemplo nosso
de que um olhar é certo,
quando te mostro
quando me move daqui e me acorrenta em mar,
de seus carinhos a primeira vista virei refém
de um coração carente, me responsabilizei.
Ah destino incerto! Eu nada posso fazer
se você entrega em minhas mãos
um coração tão transparente.
E por que, tempo, você nos deixa a mercê
da dúvida cruel de sentimentos instantâneos
que meu próprio coração desconhece?
Ao instantâneo tempo que me conduz na rota dos pássaros,
ao passarinho que cantou na minha janela...
Retorcendo e secando os pensamentos
De vez em quando adormeço e amanheço fora de casa. Do lado de fora do meu conhecido, o inverso do vivido e aprendido.
As vezes me recolho as partes e fujo para qualquer lugar diferente da rotina, pra mudar o mesmo e retorcer o dia.
Em tardes assim, eu perco o pôr-do-sol, o caminho, o saber ao certo do meu lado de dentro. Ai o restante é reunido e misturado com uma loucura, uma decisão de cair fora do igual. Um refúgio do real, na própria realidade desgastante,sem culpa, sem anseios. Deixo de lado minha necessidade inegável de me culpar para ser melhor, para aprender a voar e me jogo no mundo, que apesar de grande e fascinante,apenas uma minúscula parte me pertence!
..."Eu sai, peguei ônibus do destino final e subi o morro.Cheguei, me contagiei com energias, com a minha realidade tranquila, longe da dureza de ter que ser eternamente mutável e aprendiz.
Quão bela pode ser a vida, fugindo assim!
Mas tomo cuidado e tenho a noção de perfeição em relação ao meu refúgio, e ele não é perfeito. O que explica a imperfeição são meus pensamentos, minha sobriedade natural.
O que me coloca na reta é o final..."
As vezes me recolho as partes e fujo para qualquer lugar diferente da rotina, pra mudar o mesmo e retorcer o dia.
Em tardes assim, eu perco o pôr-do-sol, o caminho, o saber ao certo do meu lado de dentro. Ai o restante é reunido e misturado com uma loucura, uma decisão de cair fora do igual. Um refúgio do real, na própria realidade desgastante,sem culpa, sem anseios. Deixo de lado minha necessidade inegável de me culpar para ser melhor, para aprender a voar e me jogo no mundo, que apesar de grande e fascinante,apenas uma minúscula parte me pertence!
..."Eu sai, peguei ônibus do destino final e subi o morro.Cheguei, me contagiei com energias, com a minha realidade tranquila, longe da dureza de ter que ser eternamente mutável e aprendiz.
Quão bela pode ser a vida, fugindo assim!
Mas tomo cuidado e tenho a noção de perfeição em relação ao meu refúgio, e ele não é perfeito. O que explica a imperfeição são meus pensamentos, minha sobriedade natural.
O que me coloca na reta é o final..."
domingo, 11 de março de 2012
Nos braços do tempo está o sentido da vida
Se põe agora de frente a mim, você, um sentimento que percorreu todo o meu ser, descobriu dores, angústias, já derivou lágrimas de algumas reflexões. Você percorreu minhas veias, bailou, e bateu asas. Ancoramos juntos e amadureci. Ou talvez não. Talvez seja tudo um erro, e eu estou errando. Mas quem dirá o errado? E assim foi feito, após me percorrer por completo, desencarnou de mim e levou um pouco mais da minha inocência.
E agora, encarando-me com um rosto que já passou, debulhando-se no prazer em convidar-me pra sentir medo de viver, pude percebi assim como das outras vezes, minha vida girar nos braços do tempo.
E agora, encarando-me com um rosto que já passou, debulhando-se no prazer em convidar-me pra sentir medo de viver, pude percebi assim como das outras vezes, minha vida girar nos braços do tempo.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Campo aberto: Interpretação de mim.
Sabe, estou começando a perceber o quanto estou me desfazendo. Me refazendo em partes, me colocando em outras partes.
É íncrivel como posso sentir tanto o meu passado atormentando meu presente, deixando-o instável. Pedaços de mim presos no passado apenas adormeciam, enquanto minha certeza era de que estavam mortos, semeando lições e dando lugar para o amadurecimento.
Agora consigo enxergar mais um novo campo aberto em mim, pronto para ser desvendado, para ser iluminado onde falta entendimento, semear lugares com medo e colher certezas. Mas tenho medo, muito medo do desconhecido, do não saber lidar com meus atritos, do meu atrito com as pessoas.
E como em todas as vezes em que me vejo perdido nos meus campos, não sei por onde começar...
É íncrivel como posso sentir tanto o meu passado atormentando meu presente, deixando-o instável. Pedaços de mim presos no passado apenas adormeciam, enquanto minha certeza era de que estavam mortos, semeando lições e dando lugar para o amadurecimento.
Agora consigo enxergar mais um novo campo aberto em mim, pronto para ser desvendado, para ser iluminado onde falta entendimento, semear lugares com medo e colher certezas. Mas tenho medo, muito medo do desconhecido, do não saber lidar com meus atritos, do meu atrito com as pessoas.
E como em todas as vezes em que me vejo perdido nos meus campos, não sei por onde começar...
sexta-feira, 2 de março de 2012
E quem dirá, dirá
Há quartos enfeitados com sorrisos de alguém, com perfumes penetrantes aos sentidos.
Cidades firmes, lugares antigos. Quero subir nos telhados, ver um pássaro, saber seu destino, suas arvores, seus ninhos. Tocar nuvens, debruçar em lagos escorrendo nos braços do vento, me tornar parte de algo, de alguém, bater asas, visitar o passado.
E aqui tem caminhos, tem morro, tem pipoca e sorvete. Vamos pra lá? Vamos ganhar tempo perdendo a razão, sorrindo de borboletas vermelhas, amarelas, laranja, maça do seu rosto rosada, encolhida por um brilho refletido pelo seu olhar.
Posso ter segredos, para transforma-los em perolas, em lágrimas, mas cadê você pra me ajudar? Onde foi parar?
Preciso ter agora um papo sério com o destino, vamos pisar no freio, no devaneio distante, do nosso desconhecido clamando para se conhecerem.
Vamos pra lá, ou pra cá, tanto faz, vamos ser flor, bosque e dor, mas que seja juntos, que seja amor.
Cidades firmes, lugares antigos. Quero subir nos telhados, ver um pássaro, saber seu destino, suas arvores, seus ninhos. Tocar nuvens, debruçar em lagos escorrendo nos braços do vento, me tornar parte de algo, de alguém, bater asas, visitar o passado.
E aqui tem caminhos, tem morro, tem pipoca e sorvete. Vamos pra lá? Vamos ganhar tempo perdendo a razão, sorrindo de borboletas vermelhas, amarelas, laranja, maça do seu rosto rosada, encolhida por um brilho refletido pelo seu olhar.
Posso ter segredos, para transforma-los em perolas, em lágrimas, mas cadê você pra me ajudar? Onde foi parar?
Preciso ter agora um papo sério com o destino, vamos pisar no freio, no devaneio distante, do nosso desconhecido clamando para se conhecerem.
Vamos pra lá, ou pra cá, tanto faz, vamos ser flor, bosque e dor, mas que seja juntos, que seja amor.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Nas águas, no rio, no tempo
Um desenrolar, um pensamento avulso, ondas chegando, mais e mais.
Somos todos grãos de areia, somos todos e muitos, somos vários. Não sabemos nem a metade do que esse rio nos proporciona, e vários não sentem essa vibração pulsante, essa desilusão doce.
Quase ninguém consegue perceber esse gostinho irônico do grande rio, preenchido pelas correntes do tempo carregando, empurrando bem devagar, numa velocidade onde as mudanças não são percebidas com facilidade. Uma velocidade quase inerte, mas poderosa, forte e completamente misteriosa.
Somos regidos por isso, pela velocidade lenta a qual governa tudo desde sempre, movendo, transformando, misturando, criando, e talvez até brincando com as nossas razões, nossas certezas. Estamos completamente a mercê do tempo, do inesperado. Fomos obrigados a viver quase uma ironia, a perceber a imensidão do rei das virtudes comparada as nossas dificuldades superadas ao longo da vida. E veja como somos tão egoístas ao ponto de não percebermos o quanto somos pequenos, o quanto nossas preocupações são apenas os grãos de areia de uma praia misteriosa, encantada.
Quem sabe, nessa imensidão existindo, coexistindo, tentando existir, um dos objetivos seja esse, carregar da vida só o que o tempo proporciona, só aquilo que ele permite levar.
Somos todos grãos de areia, somos todos e muitos, somos vários. Não sabemos nem a metade do que esse rio nos proporciona, e vários não sentem essa vibração pulsante, essa desilusão doce.
Quase ninguém consegue perceber esse gostinho irônico do grande rio, preenchido pelas correntes do tempo carregando, empurrando bem devagar, numa velocidade onde as mudanças não são percebidas com facilidade. Uma velocidade quase inerte, mas poderosa, forte e completamente misteriosa.
Somos regidos por isso, pela velocidade lenta a qual governa tudo desde sempre, movendo, transformando, misturando, criando, e talvez até brincando com as nossas razões, nossas certezas. Estamos completamente a mercê do tempo, do inesperado. Fomos obrigados a viver quase uma ironia, a perceber a imensidão do rei das virtudes comparada as nossas dificuldades superadas ao longo da vida. E veja como somos tão egoístas ao ponto de não percebermos o quanto somos pequenos, o quanto nossas preocupações são apenas os grãos de areia de uma praia misteriosa, encantada.
Quem sabe, nessa imensidão existindo, coexistindo, tentando existir, um dos objetivos seja esse, carregar da vida só o que o tempo proporciona, só aquilo que ele permite levar.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Paisagem bonita
Quem sabe um caminhar mais ao céu, um voo imaginário? Quem sabe um ardor de ausência, um fugir da realidade pra se sentir bem? Quem soube dos meus tropeços, da minha dificuldade em ser flor num jardim perigoso? Ai sim, eu tenho dificuldade em ser outono, as vezes. No inverno é frio, os pés se cansam. Eu também sou inverno, mas a minha primavera também aflora de vez em vez.
Eu posso ser a brisa pra lhe rodopiar os fios da imaginação, eu posso te pintar, te desfazer. Posso ser você, você pode me ter, e nós poderemos fazer a paisagem linda na qual buscamos caminhar. Quem sabe esse passarinho não voa mais baixo, perto de mim, da sombra, dos pios de um sabiá? Quem sabe? Ninguém pode saber, você ainda pertence ao desconhecido, ao que ainda não me pertence, ao que almejo. Talvez minhas asas voam só, apenas porque ainda não te conheci.
Mas eu sinto falta de ar, sinto falta de poder compartilhar meu sorriso, minhas dificuldades. Quem sabe um dia possamos nos encontrar e fazer do nosso caminho uma paisagem bonita?
Eu posso ser a brisa pra lhe rodopiar os fios da imaginação, eu posso te pintar, te desfazer. Posso ser você, você pode me ter, e nós poderemos fazer a paisagem linda na qual buscamos caminhar. Quem sabe esse passarinho não voa mais baixo, perto de mim, da sombra, dos pios de um sabiá? Quem sabe? Ninguém pode saber, você ainda pertence ao desconhecido, ao que ainda não me pertence, ao que almejo. Talvez minhas asas voam só, apenas porque ainda não te conheci.
Mas eu sinto falta de ar, sinto falta de poder compartilhar meu sorriso, minhas dificuldades. Quem sabe um dia possamos nos encontrar e fazer do nosso caminho uma paisagem bonita?
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Não saber de nada
Estou cansado do meu colo vazio
do portão sempre aberto
do coração sozinho
de fugir de mãos atadas
Estou cansado de ser forte
de procurar respostas pra me sentir bem
de sentir não ser satisfeito
de não estar satisfeito.
Estou cansado da rotina do mesmo
da rotina do eu sem ele
das minhas razões
Estou cansado de esperar pra experimentar novos rumos
de não ter um caminho cruzando o meu
estou cheio de suportar noites sem poder conversar com meu coração,
com o de alguém.
Estou no meu limite da solidão, da busca incessante por um rio que aceite correr junto a mim
Queria saber como é chegar em casa e deitar ao seu lado, e eu ainda nem sei seu nome,
talvez eu saiba, talvez nós dois sabemos.
Estou cansado de ser humano, de ser imperfeito, de buscar, de encontrar, de ser feliz por momentos, de capturar tudo, de não saber de nada.
do portão sempre aberto
do coração sozinho
de fugir de mãos atadas
Estou cansado de ser forte
de procurar respostas pra me sentir bem
de sentir não ser satisfeito
de não estar satisfeito.
Estou cansado da rotina do mesmo
da rotina do eu sem ele
das minhas razões
Estou cansado de esperar pra experimentar novos rumos
de não ter um caminho cruzando o meu
estou cheio de suportar noites sem poder conversar com meu coração,
com o de alguém.
Estou no meu limite da solidão, da busca incessante por um rio que aceite correr junto a mim
Queria saber como é chegar em casa e deitar ao seu lado, e eu ainda nem sei seu nome,
talvez eu saiba, talvez nós dois sabemos.
Estou cansado de ser humano, de ser imperfeito, de buscar, de encontrar, de ser feliz por momentos, de capturar tudo, de não saber de nada.
Minha criança
O difícil, ás vezes, é perceber meu andar sozinho, me notar solitário, sentir falta de mim. Dá um gosto amargo na boca, sinto medo por não conseguir me encontrar em certos momentos e resolver minhas dúvidas, terminar com as loucuras do meu coração.
Estou começando a perceber que as coisas criadas por ele, os sentimentos que se fazem ser simplesmente maravilhosos para mim, se desfazem como se nunca tivessem sido uma verdade, algum dia. O coração simplesmente cria, fantasia, brinca, derruba, ele gosta de tornar a vida mais incrível, forra nossa consciência tão poderosa e a retorce completamente. Tenho medo dos corações, do meu, que inclusive me mostrou que tudo pode ser uma farsa, dependendo do ponto de vista e eu sendo dependente das façanhas desenvolvidas pelo meu, me confundo o tempo inteiro.
Será certo sermos solitários por nós mesmos? Vivo perguntando isso para meu eu dormente dentro de mim. Nós discutimos bastante, eu e ele quase nunca nos encontramos por inteiro, e se acontece é por pouco tempo. Porém procuro não me deixar levar pelas dúvidas, pelo rio alvoraçado de perguntas, de medo, de carência bombeada pelo coração criança, coração moleque, um coração menino pequeno rodopiando aos braços do tempo, do vento.
Alguns sorrisos ajudam, alguns encontros. E só funciona na base do ''sem mais nem menos''. Aquele que adora um circo, aquele, o coração do tempo, não perdoa, não escolhe. Qualquer sorriso de canto, olhar, um apresso mínimo já basta pra derreter-me em sonhos longos. E por falar em sonhos lembrei-me da correria estranha da minha cabeça, da consciência, do desconhecido dentro de mim, fazendo comigo um jogo onde eu brinco de realidade dentro da fantasia, e lá eu conheço meu mundo perfeito, meus anseios, minhas vontades realizadas. É lá que fica meu coração, é esse meu mundo guardado dentro dele, foi isso que meu coração queria me dar mas infelizmente somos completamente diferentes, eu e meu coração, e também, eu e as pessoas.
Querendo ou não sempre me questiono sobre essas curvas estranhas dadas pela minha rude criança, e me pergunto: qual o motivo de sentir, se algum dia pode acabar? No que acreditar, se algum dia tudo possa se desfazer? Sendo a natureza perfeita do jeito que é, acredito no fato de sermos incríveis, completamente diferente dos outros animais. Nós temos a capacidade de tornar algo inexistente em verdade, e depois, transformar em passado. E tudo fica nos rastros do tempo, até algumas certezas, e as vezes isso me traz medo. Não satisfeito, vejo uma luz para enxergar qual seria o objetivo de sermos capazes de sentir, de criar, de sofrer por coisas que não existiam. Talvez seja pra aprender a viver, a ser mais humano, mais perfeito a cada dia.
Por fim acabo me encantando cada vez mais comigo, com meu coração, com nossas façanhas, não há nada pra falar, só resta tentar entender, criar essa criança de circo dentro de mim, abraçar, amar, procurar entendê-la, ir curando todo o caos causado pelas suas palhaçadas, sendo algumas preto e branco.
Quem me guia é minha criança, eu apenas tento acertar.
Estou começando a perceber que as coisas criadas por ele, os sentimentos que se fazem ser simplesmente maravilhosos para mim, se desfazem como se nunca tivessem sido uma verdade, algum dia. O coração simplesmente cria, fantasia, brinca, derruba, ele gosta de tornar a vida mais incrível, forra nossa consciência tão poderosa e a retorce completamente. Tenho medo dos corações, do meu, que inclusive me mostrou que tudo pode ser uma farsa, dependendo do ponto de vista e eu sendo dependente das façanhas desenvolvidas pelo meu, me confundo o tempo inteiro.
Será certo sermos solitários por nós mesmos? Vivo perguntando isso para meu eu dormente dentro de mim. Nós discutimos bastante, eu e ele quase nunca nos encontramos por inteiro, e se acontece é por pouco tempo. Porém procuro não me deixar levar pelas dúvidas, pelo rio alvoraçado de perguntas, de medo, de carência bombeada pelo coração criança, coração moleque, um coração menino pequeno rodopiando aos braços do tempo, do vento.
Alguns sorrisos ajudam, alguns encontros. E só funciona na base do ''sem mais nem menos''. Aquele que adora um circo, aquele, o coração do tempo, não perdoa, não escolhe. Qualquer sorriso de canto, olhar, um apresso mínimo já basta pra derreter-me em sonhos longos. E por falar em sonhos lembrei-me da correria estranha da minha cabeça, da consciência, do desconhecido dentro de mim, fazendo comigo um jogo onde eu brinco de realidade dentro da fantasia, e lá eu conheço meu mundo perfeito, meus anseios, minhas vontades realizadas. É lá que fica meu coração, é esse meu mundo guardado dentro dele, foi isso que meu coração queria me dar mas infelizmente somos completamente diferentes, eu e meu coração, e também, eu e as pessoas.
Querendo ou não sempre me questiono sobre essas curvas estranhas dadas pela minha rude criança, e me pergunto: qual o motivo de sentir, se algum dia pode acabar? No que acreditar, se algum dia tudo possa se desfazer? Sendo a natureza perfeita do jeito que é, acredito no fato de sermos incríveis, completamente diferente dos outros animais. Nós temos a capacidade de tornar algo inexistente em verdade, e depois, transformar em passado. E tudo fica nos rastros do tempo, até algumas certezas, e as vezes isso me traz medo. Não satisfeito, vejo uma luz para enxergar qual seria o objetivo de sermos capazes de sentir, de criar, de sofrer por coisas que não existiam. Talvez seja pra aprender a viver, a ser mais humano, mais perfeito a cada dia.
Por fim acabo me encantando cada vez mais comigo, com meu coração, com nossas façanhas, não há nada pra falar, só resta tentar entender, criar essa criança de circo dentro de mim, abraçar, amar, procurar entendê-la, ir curando todo o caos causado pelas suas palhaçadas, sendo algumas preto e branco.
Quem me guia é minha criança, eu apenas tento acertar.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Carona
Nós vivemos todos os dias esperando a chegada do amanhã, tentando seguir o fluxo, a correnteza. Estamos
em constante conflito e romance com a essência, caminhamos sobre suas estradas cheirando a podridão. Seguimos nesta estrada e a cada passo dado um erro pode ser cometido.
Mas resolvi pegar carona, entrar em qualquer carro e sumir dentro de mim, ir para lugares desconhecidos, cantar pneu em certas dúvidas pra deixar de ter tantas incertezas, as quais muitas das vezes me deixaram preso por medo de errar.
em constante conflito e romance com a essência, caminhamos sobre suas estradas cheirando a podridão. Seguimos nesta estrada e a cada passo dado um erro pode ser cometido.
Mas resolvi pegar carona, entrar em qualquer carro e sumir dentro de mim, ir para lugares desconhecidos, cantar pneu em certas dúvidas pra deixar de ter tantas incertezas, as quais muitas das vezes me deixaram preso por medo de errar.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
A caverna no escuro de si mesmo
Estes dias tenho acordado estranho. Diferente de mim, deslocado do meu eu.
Estes dias me perdi um pouco do meu caminho, porém percebi o quão normal se faz esse desvio.
Estes dias senti um pouco de medo da vida como não tinha sentido há um bom tempo. Pela primeira vez após várias luas, eu me perdi dentro de mim. Fui caminhar na minha caverna e tropecei, cai e agora não me enxergo mais. O bom de tudo isso é saber que a visão volta, mas enquanto isso só posso me guiar por ecos fracos, por gritos abafados pelo medo trazido pela dúvida, medo da culpa.
Dentro da minha caverna é o único lugar no qual consigo me enxergar por completo, um olhar sobre mim visto distante no passado e o olhar visto no presente, mas com meu tombo, me confundi.
O sabor delicioso de tudo isso é derretido entre meus lábios, trazendo sensação de vitória no futuro com lições compreendidas do passado. O que me consola é a consciência leve da vida, de saber que o presente não se limita, que certos erros não se evitam, simplesmente acontecem, e que o único propósito da vida, dia a dia, é aprender a viver.
Estes dias me perdi um pouco do meu caminho, porém percebi o quão normal se faz esse desvio.
Estes dias senti um pouco de medo da vida como não tinha sentido há um bom tempo. Pela primeira vez após várias luas, eu me perdi dentro de mim. Fui caminhar na minha caverna e tropecei, cai e agora não me enxergo mais. O bom de tudo isso é saber que a visão volta, mas enquanto isso só posso me guiar por ecos fracos, por gritos abafados pelo medo trazido pela dúvida, medo da culpa.
Dentro da minha caverna é o único lugar no qual consigo me enxergar por completo, um olhar sobre mim visto distante no passado e o olhar visto no presente, mas com meu tombo, me confundi.
O sabor delicioso de tudo isso é derretido entre meus lábios, trazendo sensação de vitória no futuro com lições compreendidas do passado. O que me consola é a consciência leve da vida, de saber que o presente não se limita, que certos erros não se evitam, simplesmente acontecem, e que o único propósito da vida, dia a dia, é aprender a viver.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Mãe
A rachadura rasgou tudo, o silêncio escureceu meu quarto enquanto eu olhava para meus pés, enquanto um turbilhão de pensamentos tomavam conta do meu campo aberto. Eu errei, e ela partiu deixando a rachadura no meu coração, pediu que eu abrisse a porta e desceu as escadas para longe do meu amor, das palavras bonitas não ditas por mim, do carinho merecido desde o dia em que nasci.
Ela se foi, partiu longe, sozinha, e eu poderia ter feito mais, poderia ter lhe dado uma cama e um aconchego, mas nossa dificuldade de trocar idéias foi maior que o amor existente entre nós.
Te amo!
Ela se foi, partiu longe, sozinha, e eu poderia ter feito mais, poderia ter lhe dado uma cama e um aconchego, mas nossa dificuldade de trocar idéias foi maior que o amor existente entre nós.
Te amo!
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